Providência Divina

Um dos princípios fundamentais do Judaísmo é a “Hashgachá Pratit” – “Providência Divina”.

A Providência Divina se aplica não somente ao universo em geral, mas a cada indivíduo, cada criatura e objeto em qualquer momento.

Nossos sábios nos lembram que mesmo uma folha ao vento é crucial na realização do propósito da Criação. Se é assim para uma simples folha, muito mais em relação à humanidade em geral e mais ainda para o povo judeu, a quem D’us confiou a guarda da Sua Torá e Suas Mitsvot. Portanto, tudo no mundo, mesmo o que parece ser acidental, acontece por Providência Divina e para um propósito específico.

Nossos sábios sempre olharam para as situações adversas de modo positivo, pois eles sabiam que era a vontade de D’us. Muitas pessoas tentam entender situações financeiras adversas ou de dificuldade de saúde pensando, “Se eu tivesse feito pelo menos aquilo… Eu deveria ter feito… Eu poderia ter…”. A verdade é que isso mostra uma falta de fé completa em D’us. Como resultado, devemos prestar muita atenção a cada situação que enfrentamos.

Muitas vezes, D’us nos mostra algo somente para que possamos aprender alguma coisa daquela situação. Outras vezes, somos colocados na frente de situações para que possamos ter uma influência positiva sobre pessoas que encontramos…

Há diversas histórias que relatam essa situação. Aqui seguem algumas.

Certa vez, quando o Rabino Shalom Dov Ber de Lubavitch estava esperando para embarcar numa viagem, ele percebeu o maquinista engraxando as rodas depois que os vagões já estavam carregados.

O Rabino indagou ao maquinista, “Não seria muito mais fácil se o senhor passasse a graxa nas rodas antes de carregar os vagões?”

“É verdade, Rebe, que é muito mais difícil passar graxa nas rodas agora,” respondeu o maquinista, “entretando, se eu as engraxar agora é mais eficaz e duradouro.”

O Rabino Shalom Dov Ber virou-se para seus Chassidim e disse: “Essa é uma lição no serviço a D’us. Tudo que vem fácil, não permanece. Entretando, quando servimos a D’us em situações de dificuldade, as vantagens são muito maiores e duram mais.”


Um cocheiro ficou atolado na lama e pediu ao Baal Shem Tov para o ajudar. O Baal Shem Tov disse a ele que, mesmo que ele quisesse muito, ele não tinha força física para ajudá-lo. O cocheiro então replicou, “O senhor pode ajudar, mas o senhor não quer!”

O Baal Shem Tov falou aos seus alunos que isso foi uma importante lição a ele no serviço a D’us. “D’us nos dá a habilidade de alcançar tudo o que devemos conseguir. Se pensamos que a tarefa é impossível é somente porque nós não queremos realmente fazê-la!”

Quando o Rabino DovBer de Lubavitch ainda era uma criança pequena, ele observou um dos chassidim de seu pai perguntar a dois senhores muito ricos porque eles estavam assim tão deprimidos.

Eles responderam, “Essa época está muito difícil; os negócios estão péssimos!”

O pequeno DovBer olhou para os chassidim e falou: “Nos Salmos (115:4), o Rei David repreendeu os idólatras desse modo, ‘Seus ídolos de prata e ouro são o trabalho manual da humanidade.’ Mas a palavra, que é traduzida como ídolos, também pode ser traduzida como ‘sua tristeza.’ Neste contexto, o Rei David está dizendo, ‘Sua tristeza é o resultado de sua convicção de que a riqueza (prata e ouro) fazem a humanidade. Se uma pessoa acredita verdadeiramente que a riqueza está destinada e determinada por Providência Divina, ele não se sentirá triste e abatido. A fé verdadeira em D’us traz felicidade e alegria em todos os tempos!”