Orgulho e Modéstia

Em nossa Parashá a Torá ordena sobre a festividade de Pêssach: “Sete dias matsot comerão”. Esta mitsvá de comer matsá é uma obrigação da Torá também hoje em dia.

Qual é a diferença entre chamêts e matsá? Os dois, o chamêts e a matsá, são feitos de farinha e água que se misturaram. O que há de especial na matsá em relação ao chamêts? De comer matsá, e a proibição de comer chamêts?

O chamêts é uma massa que ficou inflada. Um pequeno bloco de massa que se molha, se eleva e cresce muito – isso é o chamêts. Já a matsá é uma massa exposta; também após ser assada, ela mantém a sua altura.

O chamêts alude à liderança, vangloria destaque e orgulho. O chamêts fica inflado e representa uma pessoa que se sente grande e importante e se vangloria e se eleva perante as pessoas ao seu redor.

A matsá indica anulação e humildade. A matsá é fina e exposta e representa alguém que está anulado perante os outros. O contrário totalmente do chamêts.

As duas palavras “chamêts” e “matsá” são compostas quase das mesmas letras. Toda a diferença está numa letra. “chet” em “chamêts” e “heh” em “matsá”. As duas letras “heh” e “chet” são similares em seu formato. As duas são compostas de três linhas, e as duas têm uma porta (abertura) em baixo.

A porta de baixo alude ao versículo: “para a porta teu pecado está deitado”; em outras palavras – o pecado tem um lugar para romper e entrar. O pecado penetra na pessoa, o pecador.

Aqui cravamos toda a diferença entre chamêts e matsá. O chamêts – “chet” – é fechado por todos os ângulos. O pecado que entra por baixo não consegue sair, e fica dentro. O pecador tem dificuldade para separar-se do pecado, abandoná-lo e distanciar-se dele.

Na matsá – “heh” – há uma abertura pequena em cima. Por meio de uma abertura pequena é possível se arrepender, aproximar-se de D’us. Porém, a abertura é muito pequena, mas de qualquer maneira basta um movimento do judeu, e D’us o auxilia, e recebe a sua teshuvá.

O chamêts alude a um homem orgulhoso e inflado. Se ele peca, é difícil para ele fazer teshuvá. Ele é orgulhoso em seus atos e não é bonito para ele confessar seu erro. Ele constantemente vai encontrar respostas para justificar-se. Ele está sozinho na letra “chet” sem saída.

O que é a matsá?

A matsá alude a um judeu que é humilde, anulado e modesto. Se, D’us nos livre, ele pecou, não tenta procurar respostas para si mesmo e justificar seus atos. Ele logo se aflige sobre sua conduta, e seu coração fica partido dentro dele. E aí então – ele se desperta com teshuvá. A abertura pequena em cima do “heh”, aproxima-o mais ainda de D’us, e ele aprimora seus atos e empreende o caminho e teshuvá, retorno.