Sexta, 26 Junho 2015 00:00

Três vezes muito

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Jewish street life. Drawings from Sketchbook by Sveta Dorosheva Jewish street life. Drawings from Sketchbook by Sveta Dorosheva Jewish street life. Drawings from Sketchbook by Sveta Dorosheva

A essência disso é o quanto de adversidade pode ocorrer sem que isto seja visto como tal. É possível isso?

Sim, claro que é possível. Mas a que preço? Muito. Três vezes muito.

A vida é maravilhosa exatamente por isto. Por deixar a cargo do previsível o imprevisível. Uma situação em que um sujeito vê a adversidade correndo e enrolando o asfalto em si própria dobra, aos olhos da pobre alma, a dificuldade de passar o que for. Socialmente não estamos preparados para isto em hipótese alguma haja vista a criação que temos, a mentalidade de posse, etc.

O que o mundo nos oferece

Um cenário onde poder viver as adversidades. Só que de modo diferenciado para uns e outros, alguns vendo a adversidade como montanhas intransponíveis, outros tendo uma impressão apenas razoável de seu tamanho. Pode isso?

Estar à frente disso estão aqueles que tem uma conexão especial, com esferas de pensamento e sentimento que estão num plano mais acima, que se juntam à realidade última do sujeito, que mostram as escalas ordenáveis entre céu e terra.

Uma lógica absurda de fatos corriqueiros

Os Chassidim da parte mais cabalística, ou da escola Luriânica (do grande sábio judeu Yitzchak Luria) entendem que os fatos que passamos na esfera mais física, ou seja, no ajuste entre corpo físico e meio terrestre, são interferências entre céu e terra, Acima e Abaixo, pois eles formam uma coisa só.

Diz a Chassidut Cabalá que o mundo de Assyía (este físico) é o mais baixo porque alcança a materialidade através de nós, seres humanos, e toda a criatura viva na terra. No entanto, este mesmo mundo físico não está dissociado dos outros mais elevados, e que fazem parte das percepções e sensações evocadas nessas conexões entre a alma aqui embaixo e o infinito Ein Sof que é banhado de luz que irradia acima do mundo de Atzilut (o mais elevado de todos).

Assim, aquilo que pensamos ser uma adversidade corriqueira, dessas provindas dos fatos cotidianos, são Hasgachá Pratit (Providência Divina), tocada pela Mão dos céus numa linguagem mais poética

A conexão é forte

Não há como discernir algo que não está na esfera do pensamento ou da lógica mais factual dos homens. Mas fato é que o homem possui uma faísca Divina implantada por seu Criador. Uma alma não subsistiria aqui sozinha em meio aos obstáculos e dificuldades do mundo senão visse, com uma consciência nascida de sua convivência com Hashem, a força dessa conexão íntima, particular, prazerosa e indissolúvel feito uma esteira por onde passa todas as malas de sua viagem, para todas as estações, paradisíacas ou não, enquanto tem a oportunidade de ver a grandeza do Rei do Universo atuando em sua vida.

Fica sempre registrado o sentimento. O que importa é sentir, amar, encontrar nas pequenas coisas boas, mesmo que seja até difícil muitas vezes distinguir entre o que é verdadeiramente bom e o que não é, aquilo que é perene e que se chama amor, sobretudo amor por Hashem.

Chassid é um homem pio

É assim que somos. Compadecidos com o bem porque acreditamos na força invisível de Hashem operando suas maravilhas. O que fazemos aqui em baixo afeta lá em cima, diz a Chassidut. Então, o primeiro passo para fazer coisas boas é se conectar. Acreditar que o invisível tem ouvidos é o primeiro ato de sanidade espiritual. Depois, o restante, vem com treino e muita disposição. Daí para transformar o mundo é um passo que, sabemos, depende só de nós!

Lido 382 times Última modificação Sexta, 26 Junho 2015 12:52

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